Quem sou eu

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Amante das palavras e daqueles que sabem fazer bom uso delas. Gosto de quem entende o que eu digo. De quem escuta o que eu penso. Dos meus discos. Dos meus livros. Da minha solidãozinha. Dos meus blues. De homem que sabe ser homem. De noites em claro e dias em branco. (...) Eu canto em português errado. Acho que o imperfeito não participa do passado. Troco as pessoas, troco os pronomes. Preciso de oxigênio, preciso ter amigos, preciso ter dinheiro, preciso de carinho. Acho que te amava, agora acho que te odeio. São tudo pequenas coisas e tudo deve passar.

domingo, 10 de abril de 2011

Ele é bem o tipo que eu gosto. Meu filho vai se chamar João, ou Theo, o dele Pedro. Eu nunca fiquei bêbada, ele nunca não ficou bêbado.(...) Eu disse que depois me sentia sozinha. Eu disse que sempre me sentia sozinha. Ele disse que então tanto fazia. Um negro vestido de negro atravessou a rua escura sem olhar e a gente ficou feliz porque ninguém sabia daquele instante além de nós. Depois eu lembrei que todo mundo passa mas ninguém fica e tive vontade de chorar o choro mais longo e pesado do mundo. Eu tive vontade de dormir no peito dele, em cima da camisa ridícula dele. Mas eu fui embora antes que isso pudesse ser mais uma lembrança para o meu jovem mural amarelado. Ele me pediu desculpas e eu quis socar o nariz dele. Ele disse que meu nariz era lindo, eu sempre achei isso mas nunca tinha ouvido. Ele me perguntou se eu sofria, fizemos cara de dor e mudamos de assunto. Concordamos que o vício pela paixão era estúpido e que conviver solitariamente com nosso umbigo era desumano. O carinho dele partia do meu antebraço para as mãos, como se escorresse do meu coração e não mais o enchesse. Era a hora do adeus e de contar, por consideração à noite, que meu cabelo não era liso. (...) Eu fui embora, tendo certeza mais uma vez de que nunca sou eu que vai embora.